DE MOSCOVO A S.PETERSBURGO
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A água é um elemento que me emociona e atrai, acalma e adoça a sensibilidade, permeabiliza a mente e torna o meu espírito mais ávido de conhecimento, mais atento, mais perscrutador.
A água é um elemento que me emociona e atrai, acalma e adoça a sensibilidade, permeabiliza a mente e torna o meu espírito mais ávido de conhecimento, mais atento, mais perscrutador. Uma viagem de barco é sempre, para mim, um grande prazer, do qual pude usufruir este ano, em Agosto.
Durante dez dias percorri rios, lagos e canais da Rússia, desde Moscovo a S. Petersburgo, visitando ao longo do percurso outras cidades menores, mas também interessantes pela memória guardada em alguns dos seus monumentos, num barco sem luxo nem grandes instalações de convívio e ocupação dos tempos livres, mas agradável, apesar disso, com uma tripulação jovem, bonita, simpática e proporcionou-nos algumas noites musicais muito boas, por músicos de grande qualidade: um pianista, um violinista, um guitarrista e uma cantora lírica. O guitarrista, um jovem de 24 anos, ganhador de vários concursos internacionais - um metro e noventa de música, com a guitarra integrada no próprio corpo - era fantástico! Todo ele era música expressa no olhar, nas faces, na expressão corporal, quando dedilhava a guitarra.
Antes de iniciarmos a navegação pelos canais dos Czares, quedámo-nos três dias em Moscovo, cidade nas margens do rio Moscova, que lhe deu o nome, e aí recebe as águas o rio Yauza, um dos seus afluentes, para uma visita guiada a essa monumental e lindíssima capital, pejada de excelsas catedrais, magníficos palácios, imponentes edifícios, lindas pontes, tal como a que sai no enfiamento da Catedral de Cristo Salvador, na alta margem do dito rio Moscova (Catedral lindíssima, que marca a vitória sobre Napoleão Bonaparte na guerra de 1812. Tem-se daí uma vista extraordinária sobre a cidade e o rio.), grandes e lindíssimas praças, fontes, estações de Metro - autênticos salões palacianos -, parques e jardins bem tratados e floridos, sem um papel no chão ou qualquer outra espécie de lixo. Assim como nas ruas; nem mesmo nas passagens subterrâneas. E também não há paredes pichadas.
A Praça Vermelha (minha velha conhecida, através da televisão, com as grandes paradas militares de antigamente), quando estamos lá no centro, faz-nos sentir a vastidão e a imponência do seu espaço, e reduz-nos rapidamente à nossa insignificância volumétrica. É de forma rectangular e, de um dos lados mais curtos do rectângulo, tem a Catedral de S. Basílio - agora Museu - mandada construir por
Ivan, o Terrível, que no final mandou arrancar os olhos ao seu arquitecto para que não pudesse construir mais nada parecido;
no lado oposto fica o Museu de História e outra catedral, de que não recordo o nome, demolida na época comunista e reconstruída já no tempo de Putin (Desse lado há duas passagens em forma de arco sob o edifício, que fazem a ligação para a vasta Praça Manézhnaia ou Picadeiro, onde antigamente faziam a revista às tropas e hoje são feitas exposições.); do outro lado fica a imponente muralha do Kremlin e o Mausoléu de Lenine; e, do outro, as Galerias Comerciais Gum, que ocupam um edifício magnífico também, onde estão representadas as marcas internacionais mais prestigiadas.
No interior das muralhas encimadas por dezoito torres de combate, o Kremlin - a parte mais antiga de Moscovo -, é um conjunto arquitectónico admirável, com majestosos palácios, catedrais (sete), entre elas a Catedral da Dormição (onde foram coroados Czares e Imperadores russos), jardins... Aí se encontra também o Palácio do Governo Russo.
Ivan, o Terrível, que no final mandou arrancar os olhos ao seu arquitecto para que não pudesse construir mais nada parecido;
no lado oposto fica o Museu de História e outra catedral, de que não recordo o nome, demolida na época comunista e reconstruída já no tempo de Putin (Desse lado há duas passagens em forma de arco sob o edifício, que fazem a ligação para a vasta Praça Manézhnaia ou Picadeiro, onde antigamente faziam a revista às tropas e hoje são feitas exposições.); do outro lado fica a imponente muralha do Kremlin e o Mausoléu de Lenine; e, do outro, as Galerias Comerciais Gum, que ocupam um edifício magnífico também, onde estão representadas as marcas internacionais mais prestigiadas. Muito, e muito há para dizer sobre Moscovo, do que vi e do que gostei de ver, mas há que avançar para darmos início à nossa navegação por rios, canais e lagos da Rússia, vencendo um total de 18 eclusas, atracando, como disse, a povoações menores mas também interessantes, nas margens dos rios, canais e lagos que percorremos. Tais como Uglich, uma das cidades mais antigas da Rússia nas margens do rio Volga, datada do séc. X, onde foi assassinado Dimitry, neto de Ivan o Terrível e herdeiro do trono de Moscovo, durante uma visita que fizera à cidade em 1591. A sua morte provocou uma longa guerra civil. E, para lembrar esses tempos de grande violência, foi construída no local a Igreja de São Dimitri, que visitámos.
Assistimos nessa cidade a um Coro Gregoriano constituído por cinco vozes, que classifico de Divino!
Outra cidade a que aportámos, Yaroslavl, já foi a segunda cidade russa e fica na junção dos rios Volga e Kotorosl. Hoje é um razoável porto fluvial com «um centro histórico importante pelas suas igrejas seiscentistas», que são Património Mundial. O Mosteiro de Spassky, nessa cidade, é dos mais antigos da região.
Em Goritsy, nas margens do lago Branco, visitámos o Mosteiro da Ressurreição ou de S. Cirilo, fundado por S. Cirilo em obediência a uma aparição da Virgem. Beneficiador dos favores e influência dos czares, o Mosteiro atingiu poder e riqueza, e durante a guerra que se seguiu à revolução de 1917 tomou o partido do exército branco. Os bolcheviques mataram o prior, e o Mosteiro ficou sob o controle do Governo, que aí instalou em 1923 um Museu de Estudos Regionais, transformado no Museu de História em 1969, que aí funciona hoje.
Kizhi, uma ilha do Lago Onega, «cercada por outras 5000 ilhas, algumas muito pequenas, outras com mais de 35Km de comprimento» tem um conjunto de igrejas, capelas e casas de madeira, muito bonito. Merece bem uma visita.
Uma das igrejas, a da Transfiguração - igreja de Verão - construída no ano de 1714, tem 22 cúpulas e foi totalmente construída sem pregos. Ao lado desta, há a Igreja da Intercessão - igreja de Inverno -, que é mais pequena. Kizhi é um lindíssimo e invulgar museu ao ar livre.
Em Mandrogi, uma aldeia turística a 270 Km de S Petersburgo, nas margens do rio Svir - rio que começa no lago Onega e termina no lago Ladoga (o maior da Europa), vivem pouco mais de uma centena de pessoas permanentemente, mas são muitas e muitas mais as que aí vão, todos os dias, para trabalhar. Pode encontrar-se aí todo o tipo de artesanato e artesãos a trabalharem diferentes materiais, em casas de uma arquitectura característica - vistosa e apelativa -, em madeira. Matrushkas, rendas, cerâmicas, jóias em âmbar e outros materiais…, tudo aí se pode ver fazer e comprar.
Tem um hotel, um museu da vodka, um zoo, cavalos, pesca, trilhos para caminhar e outras «ferramentas» de apoio ao turista que queira libertar-se do stress da grande cidade e viver em comunhão com a natureza por algum tempo. É um local muito aprazível e calmante. Bom para descansar.
Estamos a chegar ao fim do nosso Cruzeiro. A próxima etapa levar-nos-á a S. Petersburgo, cidade de uma magnificência extraordinária. Mas este texto parece-me já bastante longo. S. Petersburgo ficará para um próximo.
Jeracina Gonçalves

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